Certa vez, disse que a Educação NÃO tornou minha vida mais fácil, "A Educação me possibilitou viver". Talvez inconscientemente, percebesse a Educação como um "bunker" , uma espécie de abrigo subterrâneo. Como tudo é processo e movimento, hoje faço a Defesa da Dissertação e encerro a estadia no subsolo. Agora, já fortalecida e protegida subo as escadas. A Educação deixa de ser refúgio para viver e passa a ser uma parte da minha vida. Deixo de ser apenas autora de projetos, artigos, capítulos de livro e poesias. Escolho também ser Autora da minha História de Vida. Vandra Feretti
É senso comum que desequilíbrios são necessários para autoconhecimento. Proporcionando a cada um que se mostre aos outros ou mostre a si, Seu lado inconsciente ou oculto, que vai de encontro ao espelho retorcido do que deseja ver ou quer que vejam; Como parte de um sistema que dita comportamentos visíveis aceitáveis e atitudes encobertas excitantes. Personagens principais e coadjuvantes mecanicamente executam seu papel no roteiro da vida em família. A senhora agradecida ou ingrata; O bom pastor sempre imparcial ou integralmente no âmbito de seus interesses; A criança incompleta que finalmente recebe o amor do pai presente; A adolescente sem voz que agora é o grito de comando; A catequista amiga que se sujeitou a uma década de migalhas, tira do seu peito a pata do elefante; A mãe dedicada "limpa" as lentes e por alguns instantes depara-se com a sujeira real; Aquele que amava a todos não amava ninguém; Quem costumava avalia...
Eis que apresento uma menina, nascida em Joinville no dia 04 de maio de 1976. Uma menina linda, que abria as gavetas de roupa de suas primas para ver as coisas belas, sentir aromas de bolinhas de óleo corporal, tocar em tecidos leves e macios. Gostava de ver a folha de moda da Gazeta de Domingo e desenhar por cima dos croquis de vestidos. Ora sonhava em ser paquita, ora sonhava em ser princesa. Ainda na fase adulta seu filme favorito era a Bela e a Fera. Era a filha do meio, tendo um irmão mais velho do primeiro casamento de sua mãe e um irmão mais novo filho de sua mãe e padrasto. Vandra não entendia o porquê daquelas coisas acontecerem. Homens maus tocavam em seu corpo de criança. Desde sempre, desde da creche, desde que se conhece por gente, homens maus estavam em todas as partes. Aos 12 anos ela implorava “pare ... pare” . A mãe entra na quarto e grita “ O que é isso?”, vai para fora e chora enquanto é consolada “era brinca...
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